Uma carta para ti, caro blog. 1#
16:58:00
Querido blog,
É meia-noite. A lua está a atravessar uma fase complicada, uma transformação. É lua-cheia, é quarto-minguante. Não há estrelas no céu e eu? Eu estou perdida e, num espaço infinito que é o universo, eu sou a tua lua. Terei luz suficiente para captar de novo a tua atenção? No meio de tantos astros, terei eu uma importância assim tão grande? Continuando, a noite é fria e os vidros estão embaciados. Chove, o céu chora. Porém, o som dos meus gritos mudos abafa a melodia da chuva que caí lá fora. O meu choro ecoa no corredor. Imaginas os teus piores pesadelos? Têm sido a minha realidade nos últimos tempos. A dor de perder alguém? Tem sido o único sentimento a acompanhar-me. Não imagino um sorriso no meu futuro.. Não me imagino uma galáxia, preenchida. Sabes o porquê de te estar a escrever, a ti? Porque, muitos me ouvem, mas ninguém me ouve realmente. Muitos olham, sentem pena, dão força.. mas nenhum vê, ninguém dá. Dar-me o quê perguntas tu? Dar-me a única coisa que eu pedia que não me tirassem. O nome dele, está tão errado.. Felicidade devia ser o seu nome, porque só nele encontro tal coisa. Costumavas ser o meu farol e hoje eu estou perdida. Perdida num mar, um mar de lágrimas. Muitas raparigas choram naquele mar. Que desilusão, o amor. Sinto falta, falta de nós, falta de ti. E como será daqui em diante? Como te vou olhar sabendo que não te posso abraçar como abraçava, beijar como beijava, tocar como tocava?
- "Isso passa" - diz ele.
Sabes o que nunca passará? As memórias, tanto as boas, como as más. Tu és a prova de que o amor se conquista, se lutarmos. Então explica-me: porque não arriscas e lutas por nós? Não vale a pena? A mim sempre ensinaram que tudo vale a pena.. E se não resultar? Nós, juntos, faremos com que resulte. As relações baseiam-se em enumeras coisas e, uma delas, é a confiança. A ti, meu amor, eu confiava-te uma vida. Porquê tantas duvidas? Por causa dos ciúmes? Faz parte, faz parte eu ter medo de te perder. Deveria-te estar a escrever a ti, caro blog, mas é difícil concentrarmos-nos em algo quando alguém nos está sempre a desviar a atenção, sempre a mexer connosco. Não consigo dormir, ele não me deixa. Não consigo comer, ele, para além da vontade de viver, tira-me a vontade de cuidar de mim. Não consigo escrever, ele era o tal que me inspirava. Sou a tua musa, faz agora tu o meu papel. Sem amor, sem luz, sem ar. O meu orgulho? Já não o tenho mais.. O que é feito do teu? Está maior do que nunca. É tão verdadeiro, tudo isto. Sinto tanto cada palavra que foi dita neste texto. Preciso que me escutem, mas não me consigo fazer ouvir. E as saudades? Essas apertam comigo, e vão escorrendo pelos olhos. Queria tanto que tudo fosse perfeito, que acabei por arruinar algo que se aproximava ao máximo da perfeição. Porque me culpo? Também me pergunto disso. Talvez porque me alivie culpar alguém.. até te poderia culpar a ti, mas sabes que mais? Não tenho coragem de fazer isso à pessoa que amo portanto, força, culpem-me a mim. Se eu aguentei isto, aguentarei muito mais. Muitas pessoas julgam sentimentos e, principalmente, se forem sentidos por uma rapariga da minha idade.. Mas, na minha teoria, o que conta é a intensidade com que o amor e os momentos são sentidos, a força e a dimensão do sentimento! Como eu já disse, é a minha teoria.. provavelmente a dele é diferente. Provavelmente ele não sabe nem metade daquilo que eu estou a passar. O meu mundo caiu e partiu-se em pequenos pedaços. Será que deixe tudo como está e não remexa para mais nada se partir ou, ganhe forças, e cole cada pedaço um a um? É claro que, uma vez partido, nunca mais disfarçarei as marcas. Mas e as boas? Sim, e se as boas que estão para vir (isto é, se tiverem) compensarem cada acção má, cada atitude ou marca má? Sabes a voz? Aquela doce que tu tens? Sinto falta de a ouvir a cantar para mim, ao ouvido e algo sussurrada.. De ouvir tu chamares o meu nome, de me fazeres olhinhos. A tua mão a percorrer-me todo o meu corpo, delicadamente. Os teus elogios doces, as nossas brigas sem nexo. As tuas piadas, que por vezes não tinham piada nenhuma. Ah, mas que grande desabafo! Querido blog, entendes agora o porquê de não ter forças? De estar perdida? Eu não sei o que fazer, sem ele. Sinto uma grande ânsia de afirmação, de provar que o arrependimento o vai andar a perseguir durante anos. Eu arrependo-me.. Não do que passámos, não do que vivi, não das novas experiências.. Eu arrependo-me de amar por dois.
Um beijo, Inês Agotinho
2 comentários.
Está tão, mas tão bonito. Gostei imenso e, se precisares de falar, estarei aqui, sempre. Sê forte, mais um bocadinho.
ResponderEliminarAdoro o teu blog :D
ResponderEliminarSigo*
se gostas dos 1D passa pelo meu blog pode ser que gostes onedirection-kpt.blogspot.com
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